MJ busca consenso em torno de projeto sobre cibercrimes
Para evitar uma briga institucional, o Ministério da Justiça (MJ) estuda a possibilidade de não apresentar um novo projeto sobre crimes de informática ao Congresso Nacional. O Congresso em Foco apurou que, se não houver consenso entre o autor do substitutivo ao Projeto de Lei 84/99, senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), os relatores nas comissões afins e o Executivo, a pasta desistirá de protocolar o texto.
Por Mário Coelho - Congresso em Foco
13.04.2009
O
projeto do MJ formalmemente ainda não existe. A pasta formulou uma
minuta, divulgada pelo site, e tem fechados alguns pontos que gostaria
de apresentar. Pela minuta do ministério, além de todos os dados de
tráfego, os provedores seriam obrigados a registrar o nome completo,
filiação e número de registro de pessoa física ou jurídica por três
anos. O substitutivo prevê que os dados de entrada (log on) e saída
(log off) da conexão deveriam ser armazenados.
Os responsáveis
pelo assunto no ministério têm medo de que o projeto crie uma briga
institucional. O site antecipou que, caso o MJ envie um novo texto, ele
será analisado junto com o substitutivo, artigo por artigo. Aqueles que
tivessem redação similar continuariam. Mas as discordâncias, pelo
regimento da Câmara, fariam prevalecer o texto original, apresentado
pelo deputado Luiz Piauhylino (PSDB-PE).
Baseado nas poucas
informações que o ministério da Justiça repassou aos parlamentares, o
Congresso se articula para fazer o substitutivo de Azeredo prevalecer.
Na terça-feira (7), o deputado Júlio Semeghini (PSDB-SP), relator do
projeto na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática
(CCTCI) na Câmara, participou de uma reunião com Azeredo e o
desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Fernando
Botelho.
Eles discutiram ponto a ponto o substitutivo do senador
mineiro. Concordaram, então, em manter boa parte do texto. Mas
Semeghini convenceu Azeredo a retirar alguns artigos. O principal deles
é o que obriga os provedores de formalizar denúncias de crimes que
estejam ocorrendo durante a conexão dos usuários. "O projeto é do
senador Azeredo. O que ficar em dúvida, vamos colocar em um novo
texto", disse Semeghini ao Congresso em Foco.
Ao mesmo tempo
que discutem dentro do Congresso, os parlamentares tentam receber mais
informações no Ministério da Justiça. Azeredo e Semeghini devem se
encontrar com o secretário de Assuntos Legislativos do ministério,
Pedro Abramovay, na próxima segunda-feira (13). Paulo Teixeira (PT-SP),
membro da CCTCI e interlocutor com o governo na discussão, também
pretende encontrar Abramovay. Os parlamentares questionam a decisão da
pasta de atender a comunidade de vigilância do governo, em especial a
Polícia Federal, na elaboração do novo projeto. O ponto maior de
discórdia é a nova redação ao artigo 22 do PL 84/99.
É ele que
prevê, no substitutivo, que os provedores devem guardar os dados de
conexão dos internautas. Na redação pretendida pelo ministério,
ficariam armazenados todos os registros de navegação. Além disso,
estende para os provedores de conteúdo a mesma obrigação já acordada
pelos de acesso. O PL 84/99 muda cinco leis brasileiras: Código Penal,
Código Penal Militar, Lei de Repressão Uniforme, Lei Afonso Arinos e
Estatuto da Criança e do Adolescente. A intenção é tipificar condutas
relacionadas ao uso de sistema eletrônico ou da internet, estabelecendo
13 novos tipos de crimes.
Se o projeto for aprovado, entram
para o Código Penal manipulações de informações, difusão de vírus
eletrônico, clonagem de senhas bancárias, falsificação de cartão de
crédito, divulgação e informações contidas em bancos de dados, por
exemplo. O Congresso em Foco buscou contato com o secretário Pedro
Abramovay por diversas oportunidades, mas obteve entrevista. Pela
assessoria de imprensa, disse que só se manifestará quando o projeto
ficar pronto.