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Transportes para quem?

por Zé Correaúltima modificação 2008-06-22 15:24

Mari Almeida examina a situação dos transportes metropolitanos de São Paulo à luz dos recursos oferecidos pelo PAC para as obras de infra-estrutura

Há uma importante mudança ocorrendo na área dos transportes, concentrada em São Paulo. Enquanto milhões de paulistanos perdem cada vez mais horas no deslocamento, pelo transporte público sucateado ou pelo trânsito, foi anunciada a publicação em um mês do edital para o Expresso Aeroporto para Cumbica (saindo da Luz), em regime de concessão pública à iniciativa privada, avaliado em R$ 3,4 bilhões - para estar funcionando no início de 2011. No mês passado, foi firmado um acordo para construir um veiculo leve sobre trilhos - já apelidado de “bonde chique” - entre a Estação São Judas do metrô e o Aeroporto de Congonhas (ao custo de R$ 200 milhões). Já está bem avançada a proposta do Trem Expresso Rio-São Paulo-Campinas (R$ 11 bilhões), cuja licitação será formalizada em outubro. Segundo anunciou a Ministra do Turismo, Marta Suplicy, o objetivo é preparar o país para a Copa do Mundo de 2012.

Há, portanto, dinheiro - e muito dinheiro - para investimentos em infra-estrutura. Mas nada disso é destinado para a grande maioria da população e sim para os usuários dos aeroportos -os empresários, a classe média abastada e os turistas da Copa de 2014. Há um olhar de classe dirigindo todos estes investimentos, pois os pobres das grandes cidades, em sua maioria negros, podem continuar sofrendo em linhas de ônibus cada vez mais lentas, caras (o preço das tarifas são maiores dos países centrais) e abarrotadas, podem no máximo almejar uma moto ou um carro usado, que gastará cada vez mais tempo no trânsito (em cinco anos o congestionamento em São Paulo será permanente!). Este é o olhar do capital financeiro, das montadoras, dos agro-exportadores e agora também dos setores que querem lucrar com as promessas do petróleo, uma minúscula elite que expressa o caráter “colonial” e excludente do poder no Brasil, que não conhece o problema de transportes.

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